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FUNDO DE INVESTIMENTO

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No Brasil, existem hoje mais de 140 gestoras de Fundo de Private Equity e Venture Capital atuando em busca de boas oportunidades de investimento. Estas empresas sozinhas, sem contar inúmeros grupos de investidores privados, têm mais de US$ 11 Bilhões disponíveis para investimento. Mas será que qualquer empreendedor que possui uma boa empresa e tem acesso a estes fundos terá 100% de sucesso no processo de captação de recursos?
Nossa experiência em relação à estratégia de buscar investimentos para empresas mostra que aquelas bem sucedidas em receber recursos têm alguns pontos em comum, como os apresentados abaixo:

1) Alinhar interesses com os futuros sócios é essencial: Nos últimos anos diversos fundos levantaram recursos junto a investidores. Grande parte destes recursos tem “prazo de vida”:os administradores devem investir, ver o crescimento do aporte e sair do investimento dentro daquele prazo. Se você quer ter sucesso na operação, o segredo é buscar fundos que se encaixem no seu perfil de oferta, pessoas e objetivos comuns além de perfil de tempo, e estratégia de saída dentro do prazo para estes investidores.

2) Visite todos os fundos que puder: Apresente sua empresa de uma forma estruturada e planejada para o maior número de investidores que puder , porém a decisão de quem vai poder apoiá-lo nesta nova etapa de sua vida empresarial é a mais importante das decisões.

3) Foco no mercado e na estratégia de venda: Se você possui um bom relacionamento com o mercado, receita recorrente e contratos de longo prazo, então o interesse pelo seu negócio se multiplica. Mostrar a capacidade de gerar negócios numa mesma base de clientes é chave para despertar atenção, assim como a oferta de novos produtos para uma nova base atrai atenção, desde que a estratégia de acesso a esta base seja muito bem estruturada. Aqueles planos mirabolantes de “conquistar o mundo” do passado não são mais válidos.

4) Capacidade de Execução: A empresa terá apoio na capacidade de gestão, acompanhamento de contas e controle de gastos. Se a empresa está começando, terá mais capacidade de atingir metas, conquistar e manter clientes. Nos dois casos esteja preparado para discutir resultados financeiros, performance por cliente e indicadores de resultado. E acima de tudo, mostre a capacidade de lidar com crises e ajustar a operação contra mudanças bruscas de cenários.

5) Equipe, Equipe, Equipe: Credibilidade na capacidade de executar o plano proposto é essencial. Hoje no Brasil um dos temas mais importantes e que podem fazer um investimento acontecer é a capacidade do time de gerenciamento em fazer a empresa funcionar bem, com performance e qualidade.

6) Crie momento: Manter dados da gestão atualizados e trabalhar incessantemente ajuda a criar uma saudável atração da empresa para futuras aquisições , estratégia de saída e abertura de Capital.

7) Crie uma Governança eficiente: Implementar políticas de governança corporativa é essencial para a perpetuação do crescimento de longo-prazo da empresa.Os três principais vetores da política de governança corporativa são:profissionalização da gestão,acordo entre acionistas,criação de um conselho de administração.

Profissionalização da gestão :a profissionalização da gestão traz mais transparência e controle gerencial nas operações da empresa,tornando-a mais competitiva.

Acordo entre acionistas: com a implementação do acordo entre acionistas se estabelece políticas que regulam a relação entre os sócios (distribuição de dividendos, responsabilidades, direitos etc).

Criação de um conselho de administração: o conselho tomará as principais decisões estratégicas
que serão responsáveis pelo crescimento de longo-prazo da empresa.

8) Gerencie os obstáculos administrativos: Toda operação de investimento passa por uma avaliação e auditoria contábil, fiscal, legal, administrativa e financeira. Tenha certeza que seus dados e informações são conhecidos por você, e estão à mão para qualquer avaliação ou análise mais detalhada por parte das equipes dos investidores.


9) Não crie planos mirabolantes e sem nexo: Tenha certeza dos racionais dos números e crescimentos apresentados aos investidores. Não apresente informações sem base de dados ou que você não saiba explicar, pois tenha certeza que os investidores vão cobrar os resultados apresentados.

10) Tenha confiança. Todo e qualquer investimento de risco tem risco,por isso tenha confiança em seu conhecimento sobre o negócio e o segmento em que atua, conheça os competidores e possíveis novos competidores e negócios. Não tenha medo em apresentar pontos falhos na sua organização, desde que apresente também suas atitudes ou planos para corrigi-los.

Também faça com que seu time gerencial estude e conheça o que está sendo apresentado aos investidores para garantir uma avaliação consistente por parte dos investidores.

Além do fato de empresas bem sucedidas terem pontos em comum como os mencionados acima é essencial que elas tenham um bom planejamento para evitar as inúmeras armadilhas que aparecerão durante o processo de negociação com o possível investidor.

Uma das grandes dúvidas do empreendedor com relação ao investidor é quais são os benefícios de tê-lo como sócio. Um dos maiores benefícios que vemos numa operação de financiamento é a mudança de atitude e a forma de encarar os negócios no dia-a-dia e no médio/longo prazos. O Investidor Financeiro busca oportunidades que lhe gerem resultados superiores à média do mercado, e para isto busca empreendedores que tenham a capacidade de gerir uma empresa e buscar, sempre, os melhores resultados. Sua grande preocupação é com a fonte dos recursos, com o uso destes recursos e com o time envolvido nesta gestão.

Até o final dos anos 90, muitos dos empresários enxergavam que o valor de sua companhia estava diretamente ligado ao padrão de vida que a empresa podia proporcionar. Quanto mais conforto e dinheiro na conta gerado pela empresa, mais valia o negócio. Hoje com a entrada maciça de investidores no mercado em busca de bons investimentos, muitos empreendedores descobriram que suas empresas têm um valor maior que simplesmente o que podiam lhes prover. A avaliação do valor da empresa depende de diversos fatores, e os cálculos serão realizados tomando-se como base o faturamento esperado para o ano, o resultado esperado, e múltiplos em relação àqueles indicadores. Além deste modelo de valorização, as projeções de crescimento esperado também serão levadas em consideração para o calculo do valor.

Panorama da Indústria de Private Equity e Venture Capital no Brasil.

A Indústria de PE/VC no Brasil apresentou um crescimento de 54% a.a do ano de 2004 a 2008 com o capital comprometido passando de US$ 5,9 bilhões para US$ 26,7 bilhões nesse período. Esse capital comprometido representava 0,6% do PIB em 2004 e passou a representar 1,7% do PIB em 2008. No entanto, em países como os Estados Unidos e Inglaterra essa proporção capital compormetido/PIB é de 3,7% e 4,7% respectivamente,o que mostra o enorme potencial de crescimento que a industria de PE/VC pode alcançar no Brasil nos próximos anos.

Além disso, o Brasil conta com uma indústria de Private Equity já consolidada, dado que mais de 20 organizações gestoras possuem no mínimo 10 anos de atividade, sendo responsáveis pela administração de 30% de todo o capital comprometido da indústria. No entanto, gestoras que realizam investimentos focados em Venture Capital no Brasil começaram suas atividades recentemente em especial a partir de 2005, ou seja, a indústria de Venture capital diferentemente da indústria de Private equity ainda não esta consolidada no Brasil. Com relação à origem das gestoras, as nacionais são predominantes entre o total de gestoras existentes, os EUA representam o segundo maior contingente de gestoras seguido pelas de origem européia.

Os profissionais que atuam na indústria de PE/VC no Brasil são de alta qualificação sendo que ao menos 74% dos gestores e sócios-gestores possuem pós-graduação. No quesito de estrutura legal, a maioria dos fundos estão constituídos segundo o marco regulatório da CVM, sendo que alguns deles também são constituídos sob o marco regulatório de limited partners.
Os investidores estrangeiros são responsáveis por 57% da origem do capital comprometido e os fundos de pensão correspondem por 27% desse capital. O saldo é composto por recursos dos próprios gestores ou pessoas físicas e empresas.

De 2004 a 2008 o Brasil passou por um boom em seu mercado de capitais. Como reflexo disso, cerca de 110 IPOS ocorreram durante esse período, sendo que 39 desses IPOS eram provenientes de empresas que haviam recebido investimento de PE/VC. De acordo com estudo realizado pela FGV, entre Maio de 2004 e Maio de 2008, os investimentos em ações de companhias desinvestidas por fundos de PE/VC tiveram um retorno médio anual de 17,3% contra 1,3% das empresas que não receberam esse tipo de investimento. Em 67% das observações os retornos das empresas investidas por fundos PE/VC foram positivos contra 40% das não investidas por PE/VC. Com isso, podemos concluir que fundos de PE/VC são de estrema importância para o processo de crescimento de longo-prazo das empresas.

“There are two things to aim at in life: first, to get what you want; and fter that, to enjoy it. Only the wisest of mankind achieve the second.”  Logan Smith

Escrito por:
(*) Miguel Perrotti
Longa experiência como empresário na área de tecnologia, onde cria empresas de sucesso, gera negócios e estruturação de operações de compra e venda de empresas. Hoje é o presidente da Perrotti Participações, holding de negócios na área de tecnologia onde investe e co-gerencia o fundo de investimentos da Invest Tech.

(*) Mauricio Lima
É empresário na área de fundos de investimento desde 1994, quando iniciou a estruturação e montagem de fundos de “venture capital” no Brasil. É o co-gerente do fundo de investimentos da Invest Tech.
 

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